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terça-feira, 18 de abril de 2017

Rabiscos das Ilusões Perdidas.



Foram quase 15 anos de minha vida estando eu em um trabalho totalmente inútil que nada acrescentava àquilo que eu realmente queria fazer: Desenhar, compor, fazer qualquer coisa ligada à arte. Mas em um país em que, quem nasce na classe operária é tido por vagabundo por seus pares e é, até certo ponto, derrubado escada abaixo pelos que detém a comodidade econômica e cultural do topo de suas belíssimas torres de marfim (e porque não ouro?), até que eu consegui extrair algo de útil de minha vida inútil até aquele momento.
Eram também tempos em que eu andava desacreditado de minhas potencialidades pessoais e artísticas. Havia deixado de desenhar no fim da minha adolescência, fechei-me em auto preconceitos e fui minando minha paixão pela musica.
Décadas depois estou aqui apresentando estes trabalhos. Depois de infinitas reviravoltas em minha finita existência. Lembra-se do que disse acima: “até que eu consegui extrair algo de útil de minha vida inútil até aquele momento.”? O resultado são estes rabiscos da época em que eu trabalhava como Office boy/auxiliar jurídico de uma empresa de transportes coletivo que nem ouso dizer o nome aqui para não dar ibope.
Estes rabiscos, os que sobreviveram pelo menos (e por incrível que pareça, despareceram justamente as charges em que eu caricaturava alguns colegas de trabalhos por serem estes mesmos caricatos), são coisas que eu fazia na minha mesa durante uma pausa e outra. São sentimentos, pensamentos e promessas não cumpridas e ainda de quebra, um sarro com o pessoal.
A ultima frase deste caderno diz muito sobre mim hoje: não sobrou muita coisa daquele jovem que desenhava mais por necessidade do que qualquer outra coisa. Como Marques de Sade que teve de escrever na prisão com seu próprio sangue como tinta e as paredes como suporte para suas palavras. Um necessidade patológica.
O que sou hoje? Não sei bem e não saber é um alivio...
JC ANJOS,
Rio de Janeiro, 15 de abril de 2017.














quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Ibeji 01 repaginado.


Fiz umas alterações por conta de algumas coisas que não ficaram legais na ultima versão. Para baixar vai no link.

a capa e tem uma tira com participação de Johandson Rezende.

Meus agradecimentos, amigo.

https://drive.google.com/file/d/0B4UlnU5SYhxkdHpnekQxelFIZzQ/view?usp=sharing

sábado, 23 de janeiro de 2016

O Eterno retorno do bom filho ao lar. (ou como me meti de vez no mundo das HQ's)




Após longos anos (décadas) resolvi voltar para os quadrinhos tal qual Sidarta retorno de sua viagem pelo  mundo afim de encontrar-se consigo mesmo do mesmo ponto em que partiu.a bem da verdade sempre ouvi o chamado pelos meus amigos. De que eu iria desenvolver bem as minhas HQ's e que meus desenhos eram realmente bons. Mas não foi sempre assim. Eu nunca havia considerado que de fato era bom desenhista. Mas eram conceitos que hoje considero obsoletos (e porque não arcaicos?). Cresci ao redor de amigos que dividiam a mesma paixão pelos quadrinhos. Produzíamos aquilo isolados do resto do mundo sem sequer saber que existiam coisas como o Fanzine e demais produções independentes e underground. 


E havia gente realmente boa ali (no sentido realista do termo"). E eu pensava comigo: "Nossa, nuca chegarei aos pés desses caras!". Mas de qualquer forma, eu seguia em frente. apostando em meus roteiros (que mesmo inocentes para a época, eu ainda os achava empolgantes). Até meu saudoso irmão desenhava melhor do que eu, assim eu achava.

Com a chegada da adolescência e posterior vida adulta, assim como Grant Morrison, tive que partir para outras vivencias e deixar de lado o mundo dos quadrinhos. O rock and roll levara-me para a literatura. A literatura me impulsionou a voltar a estudar e isto, paralelamente a uma série de turbulências em vários outros setores de minha vida. Ser artista e suburbano é tão difícil quanto ter uma formação de nível superior sendo e vivendo no subúrbio.


E foi neste momento em que estas duas impossibilidades me fizeram, ainda  que tardiamente, me reencontrar com o maravilho mundo dos quadrinhos após inúmeras experimentações em outros campos da arte. 

Peer Gynt havia voltado para a casa e reencontrado após décadas, sua antiga paixão. Desta vez, os conceitos haviam mudado. Não se tratava mais de "belo" e "feio" e sim de algo novo. Tratava-se agora do rompimento que a arte moderna enfim causara abolindo de vez nossos preconceitos. 

Hoje, não faço distinções de um Alex RossBill SienkiewiczLourenço Mutarelli ou Kyle Baker (Para ser honesto, ainda fico entre Bill e Kyle por uma questão de gosto pessoal). Até mesmo, ouso dizer que prefiro a quebra do realismo do que o a aproximação cada vez mais obvia de nossos desenhistas ao modelo estadunidense que por sua vez tenta se aproximar da narrativa do cinema graças até a inserção dos personagens de quadrinhos na telona.


E como tenho orgulho de meus quadrinhos! Não mais os desprezo. Todo o meu preconceito havia sido sepultado de vez no renascimento. Enfim, a câmera que tanto buscava era na verdade papel, pincel e nanquim. As ideias sempre estiveram lá, esperando o momento certo para serem invocadas pelo meu puro xamanismo.