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terça-feira, 25 de março de 2014

SILVERBLOOD - IMPERFECTION - 1995



SILVERBLOOD - IMPERFECTION - 1995

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01 Valsa Da Lua
02 Chaud-Froid
03 Electric Rainheart Bleeding
04 Squeamish
05 Opening Crows
06 Silverblood
07 O Gigante Que Achava Que As Estrelas Eram De Vidro E Seu Gatinho
08 Splinters
09 Little Legs II
10 Taxidermia
11 Fondle Ciel
12 Électricité
13 Celofan Sea Horses
14 Gardinenpredigt
15 Joy Delirium Volume Device
16 Liquid Mercury

Duo mineiro formado por Paulo Beto (programações/instrumentos) e Ana Claudia
Romano (vocais). Teve seu único trabalho, “imperfection” de 1995 lançado pela
gravadora paulista Cri du chat.
Imperfection é um trabalho altamente inspirado pela obra de Neil Gaiman em
Sandman, onde a banda faz questão de dizer no encarte de imperfection que os
vocais de Ana são imaginados como se cantados pela personagem Delirium.
O líder Paulo Beto, que também faz trilhas sonoras e possui o projeto anvil fx,
explicou no orkut como foi o processo de gravação de imperfection:
“capítulo 1: pra quem não sabe, o cd do silverblood foi totalmente gravado
em casa, no meu antigo quarto de dormir num TASCAM de fita cassete de 4
canais. as primeiras gravações foram feitas desde 91, 92,. mas só em 94,
quando eu comprei um teclado workstation chamado ROLAND W-30 é q
terminamos o cd. A mulher q aparece no encarte do cd realmente é a Ana
romano, que hoje assina Ana ribeiro, quando nosso cd saiu, já morávamos
em São Paulo, mas todo mundo tratava a gente como "os mineiros de juiz de
fora". isso so nos distanciava das pessoas .Nessa época o nirvana imperava e
tudo que ia além disso não era tratado com muito destaque. Tava rolando
um interesse geral por sons mais pesados e com influência do heavy metal.
Musica eletrônica ainda era muito underground e mesmo as pessoas do
"eletrônico" tinham a cabeça muito limitada. Nem existia o hells club e o
silverblood fez, no mesmo lugar, um show, não lembro de estar muito cheio,
mas isso era normal, tocamos uma versão de moonchild do king crimson que
nunca foi gravada.”
Paulo ainda explica a influencia de Neil Gaiman no silverblood:
“A inspiração da liquid mercury veio certamente de sandman, mais
específicamente do modo de pensar do senhor Neil Gaiman.
Assistimos uma palestra dele aqui no Brasil naquela época onde ele
explicava suas técnicas de criar estórias capazes de surpreender os leitores a
partir de associações de coisas simples que formam idéias complexas
e também no exercício de buscar associações inexperadas. Por algum
motivo, mercúrio líquido estava muito na minha cabeça na época, e logo
caiu a ficha que ele era a própria representação física do “silverblood”,
mas se aquilo era sangue, só poderia ser o sangue de um deus. (veja bem,
deus no sentido mitológico e não cristão) deus como os irmãos do
sandman...ou galactus (sic.)Ah sim, e como mercurio líquido é muito tóxico,
pensamos na idéia de que, embora este deus fosse muito adorado, seu
sangue seria extremante venenoso. Pelo que eu me lembre, é mais ou menos
isso.Idéias confusas para uma música esfumaçada.”
O cd do silverblood teve distribuição mundial, ate pouco tempo era se possível
adquiri-lo no site da amazon.
Uma coisa que chama atenção no trabalho do Silverblood são as experimentações, a
banda faz um misto ethereal, industrial, quase inclassificável.





sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

SELF & INHUMANOIDS: "New Age" de pesadelo!





DOWLOAD DA COLETÃNEA 1982- 1994







Antes de tudo, olá!!! Como estão as coisas com vocês?

Tudo beleza , ou quase ! Muito trabalho c/ a banda e fora dela !


Quem está na banda atualmente? E atualmente é uma banda só, Self+inhumanoids?

Leandra ( vox e ?... ) , Marcelo R&D ( sintetizador , drum machine, guitarra , etc ) , Flavia ( surpresa ! ) &  ?!... ;  bom , sempre trabalhamos juntos , e nao nos importamos muito com esse lance de nomes; as vezes rolam umas diferenças na hora de escolher repertório devido a estilo (eu curto mais EBM , tecnopop antigo e umas doideiras tipo TG , elas curtem mais NIN , Bowie e o lado mais rock do techno), aí bate a vontade de ter mil projetos, mas temos mais gostos em comum que diferentes, entao...  Por enquanto é SELF+ iNHUMANOIDS! ; claro que se alguem quiser nos contratar p/ shows diferentes, tudo bem ( risos ) ! Outros projetos tambem nao estao descartados !...


Vi que o novo som de vocês engloba muitos estilos diferentes, como EBM, technopop, goth, techno, jungle, etc... Sempre há várias diferenças entre uma fita e outra, e mesmo entre faixas da mesma fita, mas a coisa fica sempre com "cara" de Self+inhumanoids, por mais que o estilo seja diferente. Para voces, qual seria essa "cara" do Self + inhumanoids? O que caracteriza tanto a sua música, que, mesmo com estilos diferentes, ainda é reconhecivel?

Obrigado p/ sua opiniao ! Na verdade , nós assimilamos varios estilos , mas sempre tentamos fazer o nosso som , e nao algo tipo isto ou aquilo; o que define nossa musica é justamente a mistura dos diferentes gostos da galera, mas atualmente já existe uma "cara "sim , tanto que quem entra na banda tambem assimila o jeito SELF/iNHUMANOIDS!; tambem ajuda o fato de sempre rolar basicamente o mesmo equipamento e a mesma pessoa produzindo, mas o importante é nao estagnar a mente, sem perder a essencia .


Agora vcs estão usando guitarra e percussao... É a primeira vez que usam instrumentos "de verdade"??? E como isso está rolando na banda?

Já havíamos tocado c/ um baterista no BHRIF , o cara ia tocar c/ outra banda e na hora resolvemos isso ! Tambem abri um show uma vez tocando bateria . Eu sempre preferi instrumentos eletrônicos p/ nao ter encheçao de saco como microfonação, equalização , etc . Mas pintaram esses instrumentos, começamos a tocar, ficou legal, e agora pensamos em aumentar seu uso. Mas a base vai continuar sendo a eletronica, tanto para fazer o som , quanto o tipo de música, timbre, etc.


Voces já tem um bom tempo militanto na cena underground nacional. Comparando com o que vocês já viram rolar, como está a cena hoje? Quais são seus altos e baixos?

Em 92, houve uma explosao independente , mil selos , zines e coisa e tal. Que eu me lembre, nenhum grupo badalado da época se deu muito bem , quem ficou , correu por fora. Nós mesmos nos atrasamos, ficamos presos demais, por culpa nossa mesmo, a um selo que pretendia nos lançar. Hoje está mais parado, cada vez mais a coisa toda vai ficando mais corporativista, sei lá, mas pelo que assistimos, acho que tanto faz, a gente tem é que correr atrás, mantendo a espontaneidade só no som e nos shows. O lado bom, é que hoje em dia, com o micro fica um pouco mais facil um grupo que ainda nao apareceu se divulgar mais e c/ mais qualidade .


E o que vocês acham que seria necessário para que o Brasil tivesse uma cena eletrônica consistente?

Há sempre uma dificuldade de se encontrar lugar quando se faz algo muito original, mas seria melhor que a galera que faz som , djs , zineiros , etc. tentasse não se fechar em guetos, quero dizer, é melhor que nós mesmos comecemos a tentar popularizar o estilo, antes que alguem da midia dilua o som, o visual e imponha um produto descartavel deles no lugar de quem está na batalha há um tempo, isto já está acontecendo c/ techno , por exemplo. Há lugar para todos, temos é que vender melhor a cena eletronica. Toquei em muitas bandas de metal e punk na adolescencia e jamais pensei que um dia rock barulhento fosse tocar em rádio e lotar estádios !!!!



Como andam os shows de vocês? Com qual frequência têm rolado?

Ficamos um tempao parados , por causa de trabalho e um certo desanimo, e tambem uma vontade de mudar um pouco a performance. Agora estamos mais perto do que queremos fazer, e voltando a correr atrás de shows; tivemos que deixar de fazer alguns por diversos motivos, mas agora está tudo ok, só aguardando convites! Devemos ir para Recife em maio, e se possivel outros estados .


Há uns meses atrás eu estava conversando com um gótico do Rio, que chegou a entrar em um show de vocês, mas saiu rápido porque "foi um absurdo - o Self virou techno, e a Leandra estava de rosa, o que é inadmissível...". O que vocês acham de gente que, no fim dos anos 90, ainda pensa assim?

Acho que sei quem é o cara ! Outro dia estávamos numa festa tipo anos 80 e chegou uma figura reclamando que no nosso ultimo show nao estávamos de preto  ( risos ) !  A verdade é que o show foi num galpao, em pleno verão de janeiro, um calor desgraçado! Estava todo mundo de short e a Leandra usava uma roupa roxa, se nao me engano, e mesmo assim a gente quase derreteu! O som, eu acho que não tinha muito a ver com techno não ! Rola, claro, um bass line aqui, uma batida quebrada ali (que eu sempre usei, bem antes de se falar em jungle), apenas isso; fizemos nossa música, o som SELF/iNHUMANOIDS!. Nao vou discutir com quem pensa assim, nada contra o cara, mas ... digamos que eu não uso presets de teclados ( risos ) !


Mulheres são uma raridade em bandas, principalmente eletrônica, mas uma das particularidades do S+i é que tem sempre pelo menos umas duas meninas na banda... Na opinião de vocês, que tio de reação isso traz, em relação ao publico?

Tem gente que cria algumas expectativas além do som, mas de um modo geral nao faz muita diferença, é mais um lance meu e da banda, sempre quis assistir e trabalhar c/ uma banda de garotas que não fosse tipo aquelas tias grunge, nem Spice, sacou ? E acho legal uma banda com personalidade, ao invés de um monte de marmanjo metido a virtuose.


E, Leandra, como é sobreviver por tanto tempo nesse meio tão dominado por homens?

Leandra: Só tem um homem aqui ( risos ) ! Brincadeira ! Acho normal, já rolaram problemas, mas nada que nao desse para resolver. Acho que não tem muita diferença do que seria se fosse uma banda de homens. Sei lá, nunca nos preocupamos com isso. Fazemos nosso som, preparamos os shows, discutimos muito detalhes e só !


Marcelo, falando em Techno, fale um pouco do Tantrik. O projeto ainda existe? 

Marcelo:  Eu havia arrumado uns softs demo tipo RubberDuck p/ o  Edson TS (da Noise Democracy), que já estava afim de fazer um som e era quem entendia mais de PC, quando o Dj Ricardo NS, um dos pioneiros a tocar techno no Brasil, me chamou para fazer uma faixa para uma coletanea que ia sair em CD & LP pela Eldorado e uma outra de Brasilia.  Fizemos, eu e Edson, uma música, usando só uma bateria Boss, mas esta não foi lançada; a que saiu pela Utter ( Utter Dance Collection ), acabou sendo feita p/ mim aqui no Self Studio mesmo , com o Ricardo dando uns palpites e batizando a faixa (Cosmic Tribe - Tribal Mix). O problema é que, apesar da musica tocar bastante em clubes e até na JovemPan ( ! ), ela foi muito pirateada em CDR, daí os royalties ficarem escassos... No momento, não estamos fazendo nada, vamos ver no futuro. Quanto a musica, fiz um remix c/ voz, percussao, mantras, etc, deverá estar em nosso CD .



Bem, é só... Alguma palavra final para os leitores do Incision?

Muito obrigado pela oportunidade, obrigado a todos os amigos que dão uma força e curtem nosso som e aguardem novidades !

We have always been here ! We shall never yeld ! We'll always be together ! Self is .


Self Contact: self@vetor.com.br

Incision Electro Bible
Entrevista retirada do sítio http://www.oocities.org/sunsetstrip/lounge/3911/iebindex.htm




inhumanoids! foi criado por Leandra Lambert em 1992. A ideia era fazer música eletrônica (geralmente) dançante com espírito punk e senso de humor - negro. As influências principais eram pós-punk, industrial, techno, synthpop, electro old school, ficção científica distópica, David Lynch e tudo o que tivesse um 'q' de bizarro, escatológico, apocalíptico. Nada integrado. A formação original incluía também Luciana Oliveira nos vocais e Marcelo Dias 'Self' nas programações. Com essa formação tocaram em vários lugares da cena alternativa carioca e paulista (Circo Voador, Dr.Smith, Torre de Babel, Basement, Cais), ganharam algum destaque em zines e na grande  imprensa (Ilustrada-Folha de SP, Rio Fanzine-Jornal O Globo, Revista Bizz) e entraram com uma música na coletânea 'Minimal Synth Ethics 2', do extinto selo independente Cri Du Chat Disques.