DOWLOAD DA COLETÃNEA 1982- 1994
Antes de tudo,
olá!!! Como estão as coisas com vocês?
Tudo beleza , ou
quase ! Muito trabalho c/ a banda e fora dela !
Quem está
na banda atualmente? E atualmente é uma banda só,
Self+inhumanoids?
Leandra ( vox e ?... ) , Marcelo R&D (
sintetizador , drum machine, guitarra , etc ) , Flavia (
surpresa ! ) & ?!... ; bom , sempre
trabalhamos juntos , e nao nos importamos muito com esse
lance de nomes; as vezes rolam umas diferenças na hora de
escolher repertório devido a estilo (eu curto mais EBM ,
tecnopop antigo e umas doideiras tipo TG , elas curtem mais
NIN , Bowie e o lado mais rock do techno), aí bate a vontade
de ter mil projetos, mas temos mais gostos em comum que
diferentes, entao... Por enquanto é SELF+ iNHUMANOIDS!
; claro que se alguem quiser nos contratar p/ shows
diferentes, tudo bem ( risos ) ! Outros projetos tambem nao
estao descartados !...
Vi que o novo som
de vocês engloba muitos estilos diferentes, como EBM,
technopop, goth, techno, jungle, etc... Sempre há várias
diferenças entre uma fita e outra, e mesmo entre faixas da
mesma fita, mas a coisa fica sempre com "cara" de
Self+inhumanoids, por mais que o estilo seja diferente. Para
voces, qual seria essa "cara" do Self +
inhumanoids? O que caracteriza tanto a sua música, que,
mesmo com estilos diferentes, ainda é reconhecivel?
Obrigado p/ sua
opiniao ! Na verdade , nós assimilamos varios estilos , mas
sempre tentamos fazer o nosso som , e nao algo tipo isto ou
aquilo; o que define nossa musica é justamente a mistura dos
diferentes gostos da galera, mas atualmente já existe uma
"cara "sim , tanto que quem entra na banda tambem
assimila o jeito SELF/iNHUMANOIDS!; tambem ajuda o fato de
sempre rolar basicamente o mesmo equipamento e a mesma pessoa
produzindo, mas o importante é nao estagnar a mente, sem
perder a essencia .
Agora vcs estão
usando guitarra e percussao... É a primeira vez que usam
instrumentos "de verdade"??? E como isso está
rolando na banda?
Já havíamos
tocado c/ um baterista no BHRIF , o cara ia tocar c/ outra
banda e na hora resolvemos isso ! Tambem abri um show uma vez
tocando bateria . Eu sempre preferi instrumentos eletrônicos
p/ nao ter encheçao de saco como microfonação,
equalização , etc . Mas pintaram esses instrumentos,
começamos a tocar, ficou legal, e agora pensamos em aumentar
seu uso. Mas a base vai continuar sendo a eletronica, tanto
para fazer o som , quanto o tipo de música, timbre, etc.
Voces já tem um
bom tempo militanto na cena underground nacional. Comparando
com o que vocês já viram rolar, como está a cena hoje?
Quais são seus altos e baixos?
Em 92, houve uma
explosao independente , mil selos , zines e coisa e tal. Que
eu me lembre, nenhum grupo badalado da época se deu muito
bem , quem ficou , correu por fora. Nós mesmos nos
atrasamos, ficamos presos demais, por culpa nossa mesmo, a um
selo que pretendia nos lançar. Hoje está mais parado, cada
vez mais a coisa toda vai ficando mais corporativista, sei
lá, mas pelo que assistimos, acho que tanto faz, a gente tem
é que correr atrás, mantendo a espontaneidade só no som e
nos shows. O lado bom, é que hoje em dia, com o micro fica
um pouco mais facil um grupo que ainda nao apareceu se
divulgar mais e c/ mais qualidade .
E o que vocês
acham que seria necessário para que o Brasil tivesse uma
cena eletrônica consistente?
Há sempre uma
dificuldade de se encontrar lugar quando se faz algo muito
original, mas seria melhor que a galera que faz som , djs ,
zineiros , etc. tentasse não se fechar em guetos, quero
dizer, é melhor que nós mesmos comecemos a tentar
popularizar o estilo, antes que alguem da midia dilua o som,
o visual e imponha um produto descartavel deles no lugar de
quem está na batalha há um tempo, isto já está
acontecendo c/ techno , por exemplo. Há lugar para todos,
temos é que vender melhor a cena eletronica. Toquei em
muitas bandas de metal e punk na adolescencia e jamais pensei
que um dia rock barulhento fosse tocar em rádio e lotar
estádios !!!!
Como andam os shows
de vocês? Com qual frequência têm rolado?
Ficamos um tempao
parados , por causa de trabalho e um certo desanimo, e tambem
uma vontade de mudar um pouco a performance. Agora estamos
mais perto do que queremos fazer, e voltando a correr atrás
de shows; tivemos que deixar de fazer alguns por diversos
motivos, mas agora está tudo ok, só aguardando convites!
Devemos ir para Recife em maio, e se possivel outros estados
.
Há uns meses
atrás eu estava conversando com um gótico do Rio, que
chegou a entrar em um show de vocês, mas saiu rápido porque
"foi um absurdo - o Self virou techno, e a Leandra
estava de rosa, o que é inadmissível...". O que vocês
acham de gente que, no fim dos anos 90, ainda pensa assim?
Acho que sei quem
é o cara ! Outro dia estávamos numa festa tipo anos 80 e
chegou uma figura reclamando que no nosso ultimo show nao
estávamos de preto ( risos ) ! A verdade é que
o show foi num galpao, em pleno verão de janeiro, um calor
desgraçado! Estava todo mundo de short e a Leandra usava uma
roupa roxa, se nao me engano, e mesmo assim a gente quase
derreteu! O som, eu acho que não tinha muito a ver com
techno não ! Rola, claro, um bass line aqui, uma batida
quebrada ali (que eu sempre usei, bem antes de se falar em
jungle), apenas isso; fizemos nossa música, o som
SELF/iNHUMANOIDS!. Nao vou discutir com quem pensa assim,
nada contra o cara, mas ... digamos que eu não uso presets
de teclados ( risos ) !
Mulheres são uma
raridade em bandas, principalmente eletrônica, mas uma das
particularidades do S+i é que tem sempre pelo menos umas
duas meninas na banda... Na opinião de vocês, que tio de
reação isso traz, em relação ao publico?
Tem
gente que cria algumas expectativas além do som, mas de um
modo geral nao faz muita diferença, é mais um lance meu e
da banda, sempre quis assistir e trabalhar c/ uma banda de
garotas que não fosse tipo aquelas tias grunge, nem Spice,
sacou ? E acho legal uma banda com personalidade, ao invés
de um monte de marmanjo metido a virtuose.
E, Leandra, como é
sobreviver por tanto tempo nesse meio tão dominado por
homens?
Leandra: Só tem um
homem aqui ( risos ) ! Brincadeira ! Acho normal, já rolaram
problemas, mas nada que nao desse para resolver. Acho que
não tem muita diferença do que seria se fosse uma banda de
homens. Sei lá, nunca nos preocupamos com isso. Fazemos
nosso som, preparamos os shows, discutimos muito detalhes e
só !
Marcelo, falando em
Techno, fale um pouco do Tantrik. O projeto ainda
existe?
Marcelo:
Eu havia arrumado uns softs demo tipo RubberDuck p/ o
Edson TS (da Noise Democracy), que já estava afim de fazer
um som e era quem entendia mais de PC, quando o Dj Ricardo
NS, um dos pioneiros
a tocar techno no Brasil, me chamou para fazer uma faixa para
uma coletanea que ia sair em CD & LP pela Eldorado e uma
outra de Brasilia. Fizemos, eu e Edson, uma música,
usando só uma bateria Boss, mas esta não foi lançada; a
que saiu pela Utter ( Utter Dance Collection ), acabou sendo
feita p/ mim aqui no Self Studio mesmo , com o Ricardo dando
uns palpites e batizando a faixa (Cosmic Tribe - Tribal
Mix). O problema é que, apesar da musica tocar bastante
em clubes e até na JovemPan ( ! ), ela foi muito pirateada
em CDR, daí os royalties ficarem escassos... No momento,
não estamos fazendo nada, vamos ver no futuro. Quanto a
musica, fiz um remix c/ voz, percussao, mantras, etc, deverá
estar em nosso CD .
Bem, é só... Alguma
palavra final para os leitores do Incision?
Muito obrigado pela
oportunidade, obrigado a todos os amigos que dão uma força
e curtem nosso som e aguardem novidades !
We have always been here ! We shall never yeld ! We'll always
be together ! Self is .
Self Contact: self@vetor.com.br
Incision
Electro Bible
Entrevista retirada do sítio http://www.oocities.org/sunsetstrip/lounge/3911/iebindex.htm
inhumanoids! foi criado por
Leandra Lambert em
1992.
A ideia era fazer música eletrônica (geralmente) dançante com espírito
punk e senso de humor - negro. As influências principais eram pós-punk,
industrial, techno, synthpop, electro old school, ficção científica
distópica, David Lynch e tudo o que tivesse um 'q' de bizarro,
escatológico, apocalíptico. Nada integrado. A formação original incluía
também
Luciana Oliveira nos vocais e
Marcelo Dias 'Self'
nas programações. Com essa formação tocaram em vários lugares da cena
alternativa carioca e paulista (Circo Voador, Dr.Smith, Torre de Babel,
Basement, Cais), ganharam algum destaque em zines e na grande imprensa
(Ilustrada-Folha de SP, Rio Fanzine-Jornal O Globo, Revista Bizz) e
entraram com uma música na coletânea '
Minimal Synth Ethics 2', do extinto selo independente Cri Du Chat Disques.